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O concílio de Jerusalém

  • Foto do escritor: Pablício Joaquim
    Pablício Joaquim
  • 26 de mai.
  • 3 min de leitura

Questões iniciais:


O texto do capítulo 15 trata de uma controvérsia no início da Igreja, que girava em torno da circuncisão. A questão central era a seguinte: “Devem os gentios convertidos ao cristianismo circuncidar-se ou não?”

Nos primeiros versículos, vemos dois grupos contrários se posicionando: alguns indivíduos da Judeia (v. 1) e alguns da seita dos fariseus (v. 5). Tais indivíduos também eram cristãos; no entanto, insistiam na necessidade da observância da lei de Moisés. Os da Judeia, em especial, ensinavam que, se não houvesse circuncisão, não haveria salvação. A decisão que tomaram, então, diante da contenda, foi subir a Jerusalém para decidir tal questão.

Paulo cita esse episódio em sua carta aos Gálatas (2.1-10). Isso se dá porque o apóstolo, em Gálatas, lida com o mesmo problema: a tentativa de alguns perturbadores que queriam reduzir os cristãos à escravidão da lei (Gl 2.4). Segundo o texto de Gálatas (2.2), Paulo comunica primeiro o seu evangelho às lideranças/às pessoas influentes. Dois motivos são sugeridos para isso ter acontecido dessa forma: 1) a perseguição de Herodes Agripa I, que fez com que a reunião fosse em segredo; 2) a intenção de fugir da pressão dos cristãos que estavam divididos diante dessa demanda.

 

Após uma reunião com os presbíteros, os apóstolos tiveram, então, uma decisão sobre o assunto, que foi exposta por Cefas e Tiago.

 

O parecer de Cefas

 

O apóstolo Pedro começa a declarar sua posição, trazendo à memória que Deus o havia escolhido, entre os apóstolos, para pregar aos gentios, quando foi até a casa de Cornélio (Atos 10).

O ponto central da fala de Pedro é que Deus, pela fé, purificou o coração daqueles homens e não fez acepção de pessoas; assim, não há razão para impor um jugo pesado aos gentios, sendo que tanto eles (os judeus de sua época) quanto seus antepassados falharam em obedecer às leis de Moisés. Ele finaliza reconhecendo que, pela graça, tanto judeus quanto gregos foram salvos.

 

O parecer de Tiago

 

Tiago corrobora a posição de Pedro, trazendo ao debate a profecia revelada ao profeta Amós (9.11-12). Seu argumento segue na seguinte direção: uma vez que Deus também salva os gentios, não devemos perturbá-los com imposições da lei. Contudo, algumas orientações são dadas para que possa haver comunhão entre os gentios e os judeus convertidos ao cristianismo.

 

A primeira orientação é a abstenção da contaminação pelos ídolos. Isso significa que os gentios convertidos devem fugir de toda e qualquer idolatria, seja na prática religiosa voltada aos ídolos, seja na participação de comidas oferecidas a eles ou de festas pagãs.

 

A segunda diz respeito às relações sexuais ilícitas. Em Levítico 18, o Senhor dá uma série de leis a respeito das práticas sexuais ilícitas que os judeus deveriam evitar. Essas práticas vão servir de bússola para que os cristãos, agora, evitem profanações no meio deles. Este é um caso tratado por Paulo em 1 Coríntios 5.1.

 

Por fim, o que mais gera estranheza nessa lista é o último ponto, que fala em não comer sangue ou animais sufocados, ou seja, animais que não tiveram seu sangue escoado. O que se deve entender é que Tiago deseja, aqui, promover um ambiente em que gentios e judeus convertidos possam conviver em harmonia, sem que um gere escândalo ao outro ou futuras discórdias.

 

A partir disso, temos em mãos o primeiro tratado de um concílio cristão na história da Igreja, que antecede o Credo Apostólico.

 

Os irmãos, tanto os apóstolos como os presbíteros, aos irmãos de entre os gentios em Antioquia, Síria e Cilícia, saudações.

²⁴ Visto sabermos que alguns [que saíram] de entre nós, sem nenhuma autorização, vos têm perturbado com palavras, transtornando a vossa alma,

²⁵ pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vós outros com os nossos amados Barnabé e Paulo,

²⁶ homens que têm exposto a vida pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

²⁷ Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais pessoalmente vos dirão também estas coisas.

²⁸ Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais:

²⁹ que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde.

 

Atos 15:23-29

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