A composição do Ser Humano (Uma breve descrição)
- Pablício Joaquim
- há 2 dias
- 4 min de leitura

De quantas partes o ser humano é formado? Essa é uma pergunta que tem gerado muitos debates desde o início da Igreja. Nestes estudos apresentaremos as três propostas concorrentes, sendo as duas primeiras propostas que não encontram muito respaldo bíblico e a terceira, a qual entendemos como verdadeira, tendo mais evidências claras na Bíblia.
O monismo
O monismo entende que o ser humano não tem diferentes partes, que ele é apenas uma unidade, um ser, que tem ou deve ser o corpo. Segundo esse pensamento, o ser humano existir sem um corpo é inconcebível. Essa doutrina vale-se principalmente de um exame de vocabulário e pouca exegese do texto bíblico.
Segundo eles, as palavras hebraicas para corpo, alma e espírito são termos sinônimos ou intercambiáveis, referindo-se à mesma coisa. Olhando para o texto tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, encontramos algumas dificuldades para aceitar essa proposta. Em Eclesiastes 12.7: "E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu." De imediato já vemos aqui que o ser humano é formado ao menos de duas partes, corpo e alma, que o compõem.
O Ap. Paulo relata uma experiência extraordinária sobre uma ida ao paraíso:
Conheço um homem em Cristo que há catorze anos (se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao terceiro céu. E sei que o tal homem (se no corpo, se fora do corpo, não sei; Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar. 2 Coríntios 12:2-4
Mais uma vez, agora no Novo Testamento, percebemos que o homem não é somente uma única coisa, mas também que essas partes podem — pelo menos a alma — viver fora do corpo. Em suma, o monismo não tem respaldo bíblico que o defenda. Apesar de não ter tanta força dentro do cristianismo, há algumas vertentes do hinduísmo e do Espiritismo kardecista que flertam com alguns pontos dessa doutrina.
O dicotomismo
O dicotomismo é uma concepção mais amplamente defendida na história e entre os protestantes. Essa doutrina entende que o ser humano é composto por duas partes: corpo e alma, sendo o primeiro sua parte material e o segundo a parte imaterial. O dicotomismo está mais próximo do tricotomismo do que do monismo, mas ambos ainda carregam algumas divergências. Esse ensino entende que, quando os termos alma e espírito aparecem na Bíblia, são usados como termos intercambiáveis ou sinônimos, ou seja, ambos se referem à parte espiritual do homem. Contudo, os dicotomistas têm dificuldade para lidar com alguns textos, como veremos no próximo tópico.
O tricotomismo
O tricotomismo, mais difundido entre os círculos cristãos conservadores, entende que o ser humano possui três partes distintas: corpo, alma e espírito. Essa concepção consegue lidar melhor com os textos bíblicos que apontam para essa realidade. Veremos alguns exemplos claros:
E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. 1 Tessalonicenses 5:23
Como se vê, Paulo apresenta o ser humano formado por três partes, e o texto supracitado tem como objetivo tratar do homem em sua plenitude. Parece que, para alcançar seu objetivo — a plenitude de uma vida irrepreensível —, o Ap. precisou conscientizar seus ouvintes das três partes que os compõem. Vejamos outro exemplo:
O autor de Hebreus vai além do texto aos Tessalonicenses. Ele demonstra que nossa composição espiritual é formada literalmente por dois elementos: alma e espírito. Nesse texto em especial, os dicotomistas encontram uma dificuldade para sustentar sua posição, no seguinte sentido: se alma e espírito são termos que se referem à mesma coisa, como seria possível dividi-la? Se as duas palavras se referissem à mesma coisa, essa coisa não seria dividida pela espada, mas rompida ao meio, e essa não parece ser a proposta do texto.
O texto usa como referência para separar duas partes distintas algo que compõe o corpo humano físico — juntas e medulas. Ora, no corpo humano essas duas coisas se separam por serem diferentes uma da outra. O que o texto quer nos dizer é o seguinte: é necessária muita precisão para separar uma coisa da outra; somente um cirurgião especialista com muita habilidade é capaz de fazê-lo sem causar danos.
Assim é a palavra de Deus: ela é eficaz em fazer a separação entre essas duas coisas que o homem, por si só, não está habilitado a distinguir. O próprio Deus, ao inspirar os autores bíblicos, ensina que o homem é tripartido. Isso é uma verdade incontestável do texto bíblico. Além disso, temos em Cristo uma representação dessa doutrina em seus ensinos:
E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. Lucas 10:27
No texto Lucano encontramos o seguinte ensino: devemos amar ao Senhor com todas as nossas forças. Essas forças são três: 1) coração, que se refere à energia vital e física, ou seja, devo me mover e agir quando amo ao Senhor, pois, segundo Tiago 2:14-26, a fé sem obras é morta; 2) toda a minha alma (pneuma), que deve estar voltada para Deus (Rm. 1.9); 3) e minha mente (psyque), que deve ser renovada pela palavra de Deus (Rm. 12.2).
Em suma, há referências suficientes no texto bíblico para que se perceba uma divisão tripartida da composição humana. Os textos que não apresentam essa divisão não lhe são contrários; por isso, a Bíblia, a partir de uma interpretação tricotomista sobre o ser humano, é lida de forma mais fiel à revelação bíblica.


Comentários