A formação da mulher
- Pablício Joaquim
- 23 de mai.
- 3 min de leitura

Após a criação do universo e do homem, e após Deus avaliar tudo como muito bom (Gn 1.31), apenas uma coisa viu Deus que não era boa: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18). É n
esse contexto que se dá a formação da mulher.
Esta foi criada por Deus com algumas qualidades específicas: ela teria que ser auxiliadora e idônea (Gn 2.18, 20). Vamos analisar esses dois termos:
Auxiliadora
Há uma grande discussão a respeito desse tema. O pensamento moderno tem dificuldades sérias na compreensão desse termo por conta de seu peso contemporâneo, que vai de encontro a ideologias marxistas.
A ideia é que pensar a mulher como auxiliadora é colocá-la numa posição menor que a do homem; no entanto, o texto bíblico não reforça isso, uma vez que até o próprio Deus, em muitos momentos, se coloca como auxiliador do homem.
A palavra hebraica usada aqui é ēzer (ezer), que significa “ajuda, auxílio, socorro, ajudador”, a mesma palavra usada para se referir a Deus no Salmo 33.20 e em diversos outros lugares da Escritura. Em suma, dizer que a mulher é auxiliadora do homem não a diminui em nada, uma vez que o próprio Deus se coloca como nosso auxiliador. O mesmo termo não está presente só em Gênesis, mas aparece cerca de outras 21 vezes na Bíblia.
Idônea
O termo em hebraico usado no texto de Gn 2 é kenegdô. Esse termo é formado por três partículas:
Ke – que pode significar “como” ou “conforme”, sendo uma partícula de comparação.
Neged – trata-se de uma preposição que significa “diante de, em frente a, oposto a, em face de”. Nesse ponto precisamos de atenção. O termo não nos traz a ideia de alguém que Deus criou para se opor frontalmente ao homem, mas de alguém que tem características opostas ao homem e capaz de complementar o que lhe falta, como duas peças de um quebra-cabeça que se encaixam.
Ô – trata-se de um sufixo: “diante dele / para ele”. Quanto ao sufixo, ele coloca a mulher como alguém que está frontalmente à altura do homem.
Diante da compreensão original desses termos, vamos compreender a criação da mulher.
Qual a mensagem que Deus nos traz ao criar alguém que seja ēzer kenegdô (auxiliadora idônea)? O Senhor cria alguém que está à altura do homem, equivalente, que lhe é frontalmente oposta ao ponto de o completar, com a missão de ser para ele uma fortaleza, um auxílio que venha fornecer-lhe segurança para cumprir seu chamado. Um apoio indispensável para que o homem consiga realizar por completo aquilo que o Senhor lhe designou.
Proposição teológica
Há dois pontos de vista principais a respeito do gênero feminino: o complementarismo e o igualitarismo. O segundo entende que a mulher é igual ao homem em tudo e que isso garante seus direitos e posição na sociedade; ambos são a imagem de Deus, e qualquer posição contrária desfavorece a mulher socialmente. O problema é que o discurso não condiz com a realidade, uma vez que, na própria Bíblia, existem leis que protegem especificamente a mulher contra abusos por causa de sua estrutura física mais frágil e seus desafios próprios, bem como em nossa sociedade atual.
O complementarismo parte da ideia de que homens e mulheres são diferentes, mas essas diferenças não os separam; elas os unem no objetivo de cumprirem a vontade de Deus. O complementarismo reconhece as diferentes funções dadas a homens e mulheres na Bíblia e reconhece que nessas funções ambos glorificam a Deus.
Há uma terceira alternativa chamada complementarismo equivalente. O adjetivo ”equivalente” tem por propósito combater as falsas acusações de que essa posição diminui o papel ou o ser da mulher diante do homem. Sua proposta é demonstrar que, mesmo sendo ambos diferentes em estrutura e em sua missão, quando agem de acordo com seu propósito, ambos glorificam a Deus.
Quanto a essa última posição, diversos textos bíblicos nos ajudam a percebê-la: Gênesis 1.26–27 nos mostra que ambos são a imagem e semelhança de Deus, não só o gênero masculino; quando homem e mulher se unem por meio do matrimônio, juntos cumprem os mandatos divinos (Gn 1.28); Gálatas 3.28 nos mostra que, na eternidade, Deus não faz acepção de gênero. Existem ainda diversos momentos nas Escrituras em que podemos ver essa cooperação e harmonia na criação humana.
Em suma, compreende-se que homem e mulher são a imagem e semelhança de Deus. A mulher complementa o homem e lhe dá o apoio necessário e indispensável para que ele possa cumprir sua função designada pelo Criador. Não há, no texto bíblico, discriminação, favoritismo ao homem ou algo do tipo; o que há é a completude da criação sendo realizada na mulher para que toda a ordem seja estabelecida. “E viu Deus que era muito bom” (Gn 1.31).



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